Sertanejo político? Para Marcos e Belutti, gênero precisa 'falar sobre o país'
23/06/2017 08:34 em Música

O sertanejo já cantou sobre amor, balada, traição, carros, dinheiro, bebida, sofrência e porcentagens. Mas sempre se manteve a quilômetros da política, uma distância que tende a diminuir, na opinião de Marcos e Belutti. Entre manhãs de domingo e românticos anônimos, a dupla - uma das mais bem-sucedidas do gênero que domina as rádios e a internet - quer falar mais sobre os problemas do Brasil.

"Com a voz forte que o sertanejo tem hoje, acho que vai pender um pouco para esse lado. Ano que vem faremos nosso DVD de 10 anos, e já combinamos que teremos uma música de responsabilidade social no repertório", diz Marcos. Ele acrescenta:

"Daqui a pouco a galera vai sentir a responsabilidade e a necessidade de falar um pouco mais sobre o país. Esse seria um bom caminho para o sertanejo. Assim como o rock, no auge, falava sobre os problemas sociais. Não podemos deixar a população esquecer o amor que tem pelo Brasil."

 

Antes de seguir pelo caminho engajado, porém, a dupla gasta as letras românticas em "Acredite”, seu sétimo CD, que mistura baladas melosas com batidas mais animadas, influenciadas pelo forró e pelo vanerão, estilo de dança típico do Rio Grande do Sul. É um trabalho que os fãs "podem colocar no carro, ouvir num churrasco ou curtir numa festa", segundo Belutti. "A gente se preocupa em pegar músicas que falam sobre tudo. Mas em todas elas há o amor, seja o que deu certo ou o que deu errado", completa Marcos.

 

O ouvido duvida?

 

Mas o amor, às vezes, é controverso. Em março, viralizaram na internet imagens de letras do sertanejo consideradas machistas e "corrigidas" por uma página do Facebook. Marcos e Belutti entraram na lista com "Então foge", por causa dos versos: "Sua boca diz não quer / E meu ouvido diz duvido, duvido, duvido". "Muitas vezes a gente diz não querendo dizer sim", defende-se Belutti. Marcos pondera:

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